sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Olimpíadas


A cobertura das Olimpíadas na Austrália é um verdadeiro lixo. Eles simplesmente não têm a mínima noção de como fazer uma coisa de nível. Cortam a competição em momentos decisivos para passar propaganda, passam jogo pela metade, anunciam que vão transmitir uma coisa e na última hora fingem que não tinham dito nada e passam outra sem dar a menor satisfação.

Os esportes aquáticos são o que movem o coração dos australianos. Achei muito engraçado eles se aglomerando na frente de uma TV e vibrando na praça de alimentação na hora do almoço com uma prova de natação, coisa mais sem graça! Na hora que eu vi aquele bolo de gente gritando, jurei que era futebol!!!!!

Bem, mas em geral, eles não dão muita bola para as Olimpíadas. O único comentário que rolou lá no meu escritório, por exemplo, foi sobre as gêmeas brasileiras do nado sincronizado. Estas sim, fizeram sucesso, a homarada se manda email com as fotos, pediram prá eu procurar elas no Google do Brasil e ficaram bem faceiros quando eu mandei uns vídeos que eu achei na Internet.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Recheio inusitado

Eu já ia encerrar, mas lembrei de contar do sanduiche mais estapafurdio que já comi por aqui. Eu não aguento mais a praça de alimentação que tem embaixo do meu prédio, enjoei de tudo lá, então como muito sanduíche, mas já enjoei de todos os recheios e resolvi inovar. Eu sempre via umas coisas gigantes que pareciam umas bolas e as mulheres amassavam com a mão e esquentavam na hora de botar dentro, perguntei o que era e a coreana que me atendeu disse: "vegetarian nhagnhaganhaganhaga (pronúncia impossível de compreender)".


Bom, mesmo sem saber direito o que era eu resolvi experimentar, resultou que era um RISOLIS (igual a estes aí do lado, na foto) colocado dentro do sanduíche, pode existir coisa mais estapafúrdia? Mal dava para morder, era um sanduíche monstro, meio chicletento, e tinha gosto de... um sanduíche com um risolis dentro. Socorro, muito ruim. No more nhaganhaganhaganhaga prá mim.

Comidas brasileiras

Comida brasileira faz falta, então de vez em quando a gente vai por aí nos restaurantes matar a saudade. Sábado passado a Karina deu a idéia de comermos feijoada e foi TUDO DE BOM, estava maravilhoso, fazia meses que eu não comia um feijãozinho, coisa mais boa. E graças à Simone, que eu descobri ser uma cozinheira de mão cheia (e que prometeu inclusive que vai fazer um prato chamado chiclete de camarão e me convidar, e eu juro até que posto a foto aqui de tão bom que deve ser), o Juliano diz que vai se aventurar a cozinhar um feijão. O Juliano é um chef muito refinado, então acredito que o feijão será especialíssimo. Bom, ele já fez vazio no forninho elétrico no findi, e apesar de contaminar o forno para todo o sempre, ficou demais de bom!

Estes dias também fomos na despedida do Paulo e da Carol em uma churrascaria, que é a melhor coisa que tem aqui, coisa boa aquele cheirinho de carne, coração de frango, aipim frito, ai, tá me dando fome só de lembrar.

E aproveito este post para lembrar a Pireca que estou contando as horas para aquele bolo de carne com molho de queijo e também para o feijão dela que eu amo. Tu não te escapa, Ronaldinha! E dizer para a Mila, que agora virou leitora e incentivadora do blog, que em breve estarei aí para a nossa super tour gastronômica por Porto Alegre. Me aguarde amigaaaaaa!

Drinks

Um hábito bem diferente que tem aqui, e não vou dizer que é australiano (pois isso seria generalizar demais) mas vou falar das pessoas com as quais eu convido, é de comprar rodadas de drinks. As pessoas vão no bar, uma turma de uns 5 a 10. Cada vez que um deles vai comprar uma bebida, ele compra prá todos, não interessa o que cada um está bebendo e nem se os outros acabaram os seus drinks, eles saem distribuindo copos (eu presumo que sair na noite deve custar bem caro deste jeito).

Ser mulher nestas horas eh obviamente extremamente vantajoso, pois eles nunca deixam mulheres comprarem nada. Inclusive uma vez que uma amiga minha passou mal e eu fui comprar uma Coca prá ela no bar, um dos meus colegas levantou e foi atrás de mim perguntar o que eu queria e comprou prá mim.

Outra coisa interessante dos drinks é que aqui mulher não bebe cerveja. Gente, como isso é possível? Eu simplesmente AMO cerveja, e eles acham isso MUITO estranho. Eles sempre dizem que não é bebida de mulher quando perguntam o que eu quero beber e ficam espantados quando eu digo que gosto. E - esta foi o Juliano que descobriu - champanhe é bebida de mulher, homem não bebe. Que monte de frescuraaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!

Roupas australianas

Roupas australianas são bem breguinhas. Eu juro que pensei que era aquele primeiro impacto de ver as coisas diferentes e depois eu começaria a achar bonito, mas já faz um ano e eu continuo achando cada vez mais bizarro. Quase tudo é mal cortado, tem cara de barato, velho, made in China e de que não vai durar uma lavada, ou de que a gente não gostaria que durasse uma lavada, só prá dizer: que peeeeeeeeeeeena, estragou, vou comprar um novo, oba!

Eu não aguento mais usar as mesmas roupas. Aí às vezes eu penso: ai, vou comprar uma coisa legal, não importa quanto custe. Perambulo, perambulo, e nada. A impressão que eu tenho é que a não ser que eu tivesse um milhão de dólares e pudesse entrar numa loja tipo Louis Vitton ou Chanel (e mesmo assim não sei, porque nunca entrei), eu continuaria com as mesmas coisas que eu trouxe do Brasil. E que aliás, estão mais batidas impossível, já que eu tive que me livrar de boa parte do que eu tinha e virar uma pessoa compacta já que aqui nós só temos um guarda-roupas de 3 portas para nós dois! (SIM, isto eh INCRÍVEL).

Falando não dá para imaginar, então eu vou mostrar alguns modelitos do novo catálogo da David Jones, uma das melhores lojas daqui, caríssima. DEOS, se isso não eh brega, que mais pode ser?
http://www.davidjones.com.au/items2/home.jsp

E estes vestidos de verão da Witchery? (Esta loja tá em todo lugar, não sei como sobrevivem vendendo estas cozas liiindas) http://www.witchery.com.au/www/136/1001127/displayproductcategory/dresses--1001236.html

Bom, mas o mais espantoso é que as lojas acabam as estações entupidas com as muitas de suas breguices. Tanto que aqui, pouco mais de um mês depois de as novas coleções chegarem nas vitrines, as peças já estão sendo vendidas com pelo menos 30% de desconto. Ou seja, NINGUÉM paga o preço original, e a maior parte não paga preço nenhum, porque eu ainda vejo por aí um monte de coisa do ano passado. Acho que os estilistas não pensam nos clientes, estão numa ego trip total, querem fazer design só que o bom gosto ficou em casa.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Vem cá, como é que se faz para conseguir o visto para a Austrália?

Volta e meia recebo um email de um amigo, amigo de amigo, colega de amigo, colega de colega ou alguma outra combinação pedindo dicas sobre o processo de imigração para a Austrália. Não me sinto qualificado para auxiliar nos detalhes de uma aplicação específica para o visto, uma vez que fiz o processo somente uma vez, envolvia o meu caso (relativamente simples) e foi lá em 2002. Mas para me economizar trabalho fiz uma coletânea de comentários gerais (de bom senso) que passei em vários emails de resposta e acho que ajudam a dar direção a quem pensa em começar o processo.

Alguns comentários têm um foco maior em TI, já que essa é a minha área e foi a experiência que eu tive, não posso falar sobre a facilidade ou dificuldade das outras. E óbvio que se somente os comentários abaixo fossem suficientes para enfrentar todo o processo de visto, eu estaria cobrando por eles e não colocando de graça aqui no blog... Portanto, tire suas próprias conclusões e tome suas próprias decisões! :-)

Comentários sobre o processo de Skilled Migration Visa para a Austrália

0) Isso mesmo, comentário "zero": para grande parte dos casos, a maior parte das informações necessárias para solicitar um Skilled Migration Visa está no Booklet 6 do próprio Departamento de Imigração da Austrália (DIMIA). Portanto, leitura fundamental pois responde várias dúvidas específicas. Decore o livreto.

1) Por vários exemplos que vi, o processo de ponta-a-ponta leva 2 anos, entre estudar o processo, validar o diploma, completar a application e esperar pelo visto.

2) Para quem é de TI, tem menos de 30 anos, 3 ou mais anos de trabalho na área e nível de inglês bom é relativamente fácil atingir os pontos necessários.

3) O processo como um todo é trabalhoso e requer muita documentação para comprovar os pontos que está se tentando comprovar, mas eu diria que é muito mais trabalho de correr atrás e paciência de estudar, ler e reler para fazer tudo direito do que necessariamente algo complexo e difícil.

4) O processo do visto vai consumir uma grana, além da própria taxa do visto tem que considerar IELTS, Sedex Internacional, exames médicos, milhares de cópias autenticadas e as facadas das também milhares de traduções juramentadas. Mas sempre digo: considerando que é uma grana que se gasta para eventualmente mudar de vida, é muito barato, mas tem que se estar preparado para o gasto. Se é só para pensar em eventualmente imigrar, é uma brincadeira cara. Na hora de mandar documentação, melhor pedir, traduzir e mandar demais e comprovar tudo direitinho do que mandar de menos para economizar cem pila.

5) Quando fiz o visto contratei um agente de imigração e paguei uns US$1.000, hoje isso custa duas ou três vezes mais pelo que sei de conhecidos. Por outro lado, a não ser que analisando os booklets e formulários a pessoa veja que sua situação é muito especial e tem muitas dúvidas, provavelmente hoje em dia eu faria tudo sozinho e pagaria uma consultoria de imigração por hora (oferecida por algumas agências, internet ou telefone, na base de US$100/h) para tirar dúvidas e fazer uma revisão final, pois tem muita informação disponível tendo a paciência e tempo de pesquisar. De novo, a grana nisso pode ser a diferença entre conseguir o visto (por ter uma boa documentação) ou não. Sendo assim, no final das contas pagar um agente ou não é uma questão pessoal: situação individual para comprovar os pontos versus risco versus custo versus paciência/disciplina que cada um tem para entender o processo. Para casos que não são exceção, diria que é possível fazer com bastante atenção e cuidado sem contratar um agente. Mas aí no mínimo eu pensaria em usar de 3 a 5 horas de consultoria para validar os passos-chave (início do processo, validação do diploma, contagem e comprovação dos pontos e revisão da application), é dinheiro bem gasto.

Se eu fosse escolher um agente hoje iria pegar alguém que tenha bastante volume de processos (=experiência), seja registrado na Austrália, fale português (para mim era tranqüilo falar com meu agente em inglês por ter morado fora antes, mas para quem não tem fluência total, não dá prá arriscar entender algo errado ou não saber fazer a pergunta certa) e - um bônus - tenha algum representante no Brasil que eventualmente se possa conversar pessoalmente. E mais importante que tudo isso: alguém que seja bem recomendado por uma pessoa que já o utilizou.

6) Outra coisa é que hoje em dia tem muito mais informação em fóruns do que em 2002. Só tem que cuidar porque essa é uma faca de dois gumes: tem gente em fórum que só fez o seu processo e - por ter tempo livre - é quem mais responde dúvidas, sem ter a mínima experiência de outros processos diferentes do seu. Eu já li muita coisa boa em fórum, mas também já li besteiras sem tamanho que se eu tivesse ido atrás teria arriscado não conseguir o visto (no caso o visto da Marti, que pedimos depois de eu já ter o meu). Então deve-se usar os fóruns para pesquisa, mas sempre é necessário julgar bem o que se está lendo e sempre validar se o que está sendo lido é correto e que autoridade a pessoa que postou tem para falar do assunto.

7) Uma dica para economizar grana: ao pedir carta para os empregadores comprovando tempo de experiência de trabalho ou outros documentos que no fim das contas a gente mesmo redige de acordo com o que precisa e a pessoa só lê e assina, dá para fazer já em inglês e pagar um bom professor para revisar: sai mais barato e é mais fácil que fazer a tradução juramentada depois. E sempre ter duas vias de tudo, pois uma vai ser enviada pelo correio e pode simplesmente se perder (já aconteceu comigo e com outros). Por sinal, antes de mandar a application convém fazer uma cópia dela inteira: imagina o estresse e retrabalho só em lembrar do que tinha nela caso seja perdida?

8) O primeiro passo será validar o diploma com a ACS (no caso de TI, para outras profissões são outros órgãos). Recomendo ao decidir o job code a olhar também a lista de profissões mais em demanda (muda regularmente), por exemplo na última consta "Especialização em J2EE" e várias outras bem comuns de alguém da área ter. Além dos pontos da profissão (TI), profissões/especializações da MODL (Migration Occupations in Demand List) dão pontos extra, então caso a pessoa se enquadre, faz sentido já escrever as cartas bem consistentes com isso e pedir que a ACS reconheça, além da profissão nominada, a especialização (a página no link tem um asterisco explicando melhor isso). Se não pedir reconhecimento da profissão específica da MODL na primeira vez, depois tem que fazer toda validação de novo para poder pedir os pontos na application.

9) Para os que ainda não admitiram para si mesmos que estão casados, mas querem imigrar com a "namorada" (=esposa, mas apesar do mundo todo saber só você ainda se engana que não é): antes de iniciar todo o processo, vale ler o que é exigido em termos de provas de que vocês são um casal. A Austrália reconhece "casal de fato" (não casados no papel, mas provam que compartilham uma vida em comum), mas dependendo do que disser no booklet pode valer a pena pensar em oficializar a coisa e casar no cartório ou registrar união estável, não sei até que ponto ser "casal de fato" acaba exigindo um número bem maior de comprovações do relacionamento, o que pode ser chato e caro de providenciar. Com essa todas as "namoradas" vão querer imigrar para a Austrália... :-)

10) Para todos os casos e dúvidas no processo de visto para imigração, vale o bom senso. Quando fiz o visto (e acho que é o caso de muita gente), tinha uma visão de um departamento de imigração muito baseado em Estados Unidos, que tem uma imagem de austeridade e - a princípio - de não tratar bem solicitantes de visto. Mas a experiência com a Austrália desmistificou muito essa imagem: lembrem-se que o país precisa de imigrantes qualificados, eles querem que as pessoas entrem no país (se forem qualificados). Ao ligar para o Departamento de Imigração para tirar dúvidas da Marti, fui atendido em um call center extremamente profissional, ouvi parabéns por ter escolhido imigrar para cá e os solicitantes de visto eram chamados de "clientes". Eles são extremamente acessíveis, inclusive descobri que dúvidas bem específicas pode ser tiradas com eles, mandando email para o DIMIA diretamente ou através da Embaixada no Brasil. Lembrem-se, eles precisam de gente, portanto não é necessário temer fazer uma pergunta pois muito provavelmente a resposta será profissional e isenta, ninguém vai marcar que "o fulano parece estar querendo entrar aqui". Eu pelo menos tinha esse estereótipo de imigração e ao entender melhor como é foi mais fácil tomar decisões sobre o visto. Acho que uma maneira boa de pensar é: os caras querem gente qualificada e se eu acredito que tenho os pontos necessários para imigrar (premissa básica) meu objetivo é apresentar da forma mais clara, direta, inequívoca e completa a quem analisar minha documentação que eu preencho os critérios e portanto facilitar a decisão de que eu devo ganhar o visto.

Bom, espero que esses comentários sejam proveitosos. De novo, isso é só minha experiência pessoal e cada um deve julgar sua situação individual (releia o item 6...). Se realmente forem ótimos comentários que fizeram a diferença entre alguém receber ou não o visto, por favor me mandem um email que em seguida envio o número da minha conta para depósito da taxa de consultoria. Lembro que trabalhamos com dólares australianos. :-)

Boa sorte!

sábado, 7 de junho de 2008

Nunca diga nunca

[Post mais atrasado que o ônibus 443 daqui de casa até a City no final da tarde :-), mas antes tarde do que nunca, antes que o blog crie teia de aranha...]

Essa frase nunca fez tanto sentido como em fevereiro desse ano: há exatos 2 anos havia feito minha última viagem para Boise, Idaho (principal laboratório de onde saem as HP LaserJets) como parte da transição na saída da HP para a GoDigital. Se naquela semana alguém tivesse apostado 1 milhão de dólares comigo que eu voltaria a Boise à trabalho, eu teria pedido para dobrar a aposta.

Não é que depois de voltar novamente para a HP (quem diria?), agora aqui na Austrália, surge um treinamento na minha área que é justamente onde? Em Boise! Pois é, até o agente de imigração nos Estados Unidos me perguntou o que fazia indo para Boise pela sétima vez, deve ter achado meio suspeito...

Boise é a capital de Idaho, um estado com economia predominantemente agrícula no noroeste dos Estados Unidos, mais ou menos no meio do caminho entre Seattle e Salt Lake City. É uma simpática cidade de 300 mil habitantes, famosa pela vida tranqüila, parques e jardins, montanhas, rios, atividades ao ar livre e, mais que tudo, batatas!

Pois é, batatas. Enquanto a placa de um carro do estado de New Hampshire tem o slogan "Live Free or Die", a de Idaho diz "Famous Potatoes"... [Obrigado, Joan, por essa contribuição!]. O estado é assim conhecido porque o cara mais rico de Idaho (J. Simplot) ficou famoso por patentear o processo de plantio, colheita e processamento das batatas do McDonald's e tem exclusividade de fornecimento nos Estados Unidos. Coisa pouca.

Então digamos que uma cidade onde a coisa mais famosa são batatas, não é necessariamente o lugar mais turístico dos EUA, imaginem algo como ir para a capital nacional do aipim (onde será isso?) no Brasil. Digamos que uma descrição seria, "bucólica" (um eufemismo para: não há tanto o que fazer depois de já ter ido uma ou duas vezes...).

Mas na verdade fiquei muito feliz de ir para lá, pois após os anos trabalhando com o pessoal da HP de lá acabei fazendo alguns amigos e é sempre bom rever o pessoal. Além disso, Boise no inverno dá de 10 a 0 em Boise no verão: a estação de esqui de Bogus Basin fica a 40 minutos da cidade e essa é a principal programação no final de semana (ou até de noite).

Então essa foi uma semana de muitas jantas, cervejas (Fat Tire é a minha preferência local, uma amber ale excepcional), risadas, papos sendo colocados em dia e, obviamente, muito esqui! Engraçado também foi a reação de uma série de pessoas com as quais eu trabalhava e que não entenderam nada do que eu fazia ali. A tradicional explicação da mudança para a Austrália e a também clássica piada de que "eu não consigo me livrar da HP", afinal essa foi a segunda vez que pedi demissão e pelos caminhos tortos do destino, acabei voltando. :-)

Então a minha despedida dessa vez foi menos defitiva: apesar das chances de ir para Boise no próximo ano serem quase zero, já não emito mais opiniões desse tipo, pois o mundo dá voltas que a gente jamais imagina e com isso nos traz surpresas muito agradáveis!

sábado, 3 de maio de 2008

Salsa

Australianos adoram latinos e coisas latinas. E a dança que eles mais conhecem aqui é Salsa. Tem inclusive lugares onde se vai somente para dançar Salsa. Bom, passada esta introdução esdrúxula, informo que começamos um curso de Salsa de 6 semanas.

Na primeira aula tivemos uma ingrata surpresa. Nós dois não dançaríamos juntos. A cada 2 minutos as mulheres trocavam de par, rotavam no salão, tinham que dançar com um par diferente. O caos. Em uma hora eu dancei com chinês, coreano, australiano, árabe, gordos, magros, suarentos, desengonçados, tarados, descordenados, chatonildos, metidos, malas sem alça, alguns legais, alguns até gatinhos (se olhando com muita boa vontade). Mas na média foi assim, traumatizante. Eu só queria sair correndo.

Segunda aula, mesma coisa. E ainda tinha um maldito japa com rabo de cavalo e sapato de crocodilo verde que tentava ficar me coordenando bem na hora que os professores explicavam as coisas e eu não conseguia prestar atenção. Fiquei MUITO furiosa.

Então nos rebelamos contra a rotation. E dissemos que não íamos mais mudar de par. Chega dessa palhaçada. E na terceira aula cada vez que uma mulher chegava prá tentar roubar o Juliano de mim a gente dizia: nós não estamos rotando. Aí sim. Bem melhor. Conseguimos até aprender uns passos. E confesso que até me diverti da última vez. Salsa é legal, mas estas danças não são muito a minha, não sei. Falarei mais no futuro.

Clube de Corrida

Depois de meses de sedentarismo resolvemos deixar a preguiça de lado e nos inscrevemos em um clube de corrida.

Ok, começamos com azar: no nosso primeiro dia fez o maior frio de todos os tempos. Eu juro, quase não dava para respirar de tão gélido. Era de noite e o grupo se reunia na beira da baía, tipo, um ventão penetrante nos ossos. É muita vontade de correr, né?

Lembramos a última vez que tamanha determinação se abateu sobre nossos corpos... Foi em Porto Alegre, era um dia de inverno e chovia. Mas nós fomos para o Parcão. Bom, só nós né, no meio do lamaçal que aquilo tinha virado. As pessoas que passavam na rua (de carro, obviamente), nos olhavam com aquela cara de pena. Deviam achar que éramos atletas obrigados a treinar para alguma maratona. Teve uma hora que por causa da chuva tivemos de nos abrigar embaixo de uma daquelas super moitas do Parcão. Foi patético!

Sim, a gente não dá sorte com o primeiro dia de corrida. Mas passado o susto inicial, não dá prá piorar, né? Aguardem fotos de nós dois super hiper mega master saradíssimos em breve.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Canguru deu o bolo no 1 ano de casados


Para comemorar nosso 1 ano de casados (10 de março) nos metemos no meio do mato. Fomos para um lugar maravilhoso, bem isolado, próximo às Blue Mountains.

No meio do quarto havia uma banheira enorme de onde podíamos enxergar lá embaixo um vale, e passamos o sábado de molho. Lindíssimo.

E como era no meio da natureza, o cara do hotel falou que de manhã havia a possibilidade de os cangurus virem ali na porta do quarto (que dava para o mato). Bom, desde que ele falou isso, eu não parei de pensar em como seria fantástico acordar com os cangurus na porta do quarto. Para resumir, eram seis horas da manhã, ainda escuro, e eu já estava de olhão aberto esperando os cangurus.
Sete horas, oito horas, nove horas, e os malditos nunca apareceram. Muita decepção. Eu não parei de olhar prá rua um minuto. Vontade de esguelar o cara do hotel. Por que ele botou o doce na boca da criança prá depois tirar? Eu queria um canguru na minha porta de qualquer maneira. Aliás, eu queria uma tropa!
No fim até demos uma banda no meio do mato para ver se lá, escondido, não encontrávamos algum. Guardamos até um pãozinho do nosso café para o bichinho. Para evitar futuras decepções, a próxima viagem será para um hotel que fica beeeeeemmmmm do ladinho de um parque apinhado de canguru. E antes vamos checar se eles estão lá mesmo.


(Na foto ao lado, a vista do nosso quarto)


Vida Saudável

Como o Juliano vive viajando, meus colegas me perguntaram se eu cozinhava só para mim quando ele não está ou se eu comia fora. Eu disse que não sei cozinhar e que quando ele está fora eu costumo comer pie (tipo uma empada de carne) todo dia. Os 3 se apavoraram e desde então não pararam de me encher com os princípios australianos da vida saudável e me ameaçar com possibilidade de ataque cardíaco iminente caso eu não passe a incorporar alimentos naturais na minha dieta.

Comecei então a reparar que realmente aqui eles se preocupam em comer vegetais em todas as refeições, frutas de manhã e pão preto sempre. Mesmo nos almoços de negócios na empresa onde eu trabalho, a sobremesa eh uma bandeja de frutas frescas, e eles se atiram naquilo como se fosse torta de sorvete com cobertura de negrinho.

Logo depois da nossa conversa, comecei a receber emails estranhos. Meu chefe havia me inscrito em sites de receitas saudáveis. Então um dia estou no meio da correria do trabalho e recebo um telefonema de um chef perguntando quando eu quero começar minhas aulas de culinária: meu chefe me inscreveu em um site dizendo que eu queria ter aulas de culinária. Ninguém merece. Me inscreveu também em um tal do clube do livro de receita. Demorei umas duas semanas me livrando de toda esta gente/sites.

Mas até que foi bom porque agora resolvemos aderir aos princípios saudáveis australianos. Depois de comermos todas as porcarias do hemisfério Sul, há dois finais de semana atrás, fomos ao super e compramos frutas, verduras e até um tal pão de soja, que, confesso, revelou-se apetitoso. E descobri que o Juliano, com o talento que tem para cozinhar de tudo, consegue fazer estas coisas terem gosto de comida de gente.

Óbvio que no primeiro dia peguei ele com a manteiga e o chocolate na mão. No segundo tive que obrigá-lo a devolver o bacon para onde nunca devia ter saído. E desde então já voltamos a comer algumas das porcarias do hemisfério Sul, mas enfim, estamos tentando mudar e abandonar de vez a dieta da pie.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Cingapura II: agora com álbum de fotos

Resolvi fazer um álbum com as fotos que tirei em uma caminhada ao longo do Singapore River no sábado que me sobrou prá fazer turismo por lá: acesse o álbum aqui, clique no slideshow e aproveite!

Muitos prédios enormes, vários espaços abertos e muitas fotos, obviamente, onde aparece o rio. Algumas míseras fotos onde eu apareço, normalmente onde metade da foto é a minha cara pois fazer turismo sozinho é brabo e meu braço não alcança muito longe...

Detalhe: estava uns 30 graus e tão úmido que acho que se tirasse um peixe do rio ele sobrevivia... Ficam aqui meus profundos agradecimentos ao ar condicionado do The Coffee Connoisseur onde comi e bebi tudo que é possível se fazer à base de café, eu podia passar lá uma semana!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Como cancelar seu cartão de crédito em 3 minutos

Não tem uma pessoa que não tenha passado pela cansativa, irritante e frustrante experiência de tentar cancelar um cartão de crédito. Normalmente, para ter sucesso nessa ingrata tarefa é necessário munir-se de muita paciência, uma certa dose de rispidez, momentos de grossura e muita lábia.

Não basta explicar os motivos, a gente sempre tem que estar preparado para repetir o nome, número do cartão, RG, CPF, endereço, tipo sangüíneo, nome do cachorro e o motivo do maldito cancelamento pelo menos 3 vezes e obviamente para pessoas diferentes. Mesmo a gente dizendo que tem outros 8 cartões, sendo 3 da mesma bandeira e pelos quais pagamos zero reais de anuidade, ainda temos que ouvir do atendente que faz sentido manter o cartão, apesar do último gasto que fizemos nele tenha sido para comprar um milkshake no Rib's no século passado.

Depois sempre tem aquele apelo emocional: "mas o senhor veja que já temos 8 anos de relacionamento...". Sinceramente, 8 anos de relacionamento com um cartão de crédito que nem carrego na carteira, não faço transação e pago uma taxa todo ano é a mesma coisa que um casamento no qual moramos separados há 8 anos, não tem sexo e mesmo assim sigo pagando o condomínio dela. Isso é, não faz o menor sentido e é motivo para divórcio, ou no caso, cancelamento do maldito cartão.

Enfim, no final de repetir "não estou interessado" de 20 formas diferentes para uma tropa de umas 15 pessoas com os dedos sempre cruzados para a ligação não cair (sempre acontece...), conseguimos cancelar o cartão e nos sentimos como se tivéssemos corrido uma maratona.

Mas e aí, qual a moral desse post? Bom, acabei de sair do telefone (ou melhor, do Skype) com a operadora do meu cartão no Brasil, no qual levei exatos 3 minutos para cancelar o cartão!!! Bastou dizer que não residia mais no Brasil que a explicação foi aceita quase imediatamente, não antes (é óbvio) de tentarem me convencer que era uma coisa esperta ter um cartão internacional aqui na Austrália para fazer compras e pagar taxa de câmbio e IOF... Tive que explicar que aqui na Austrália também tem cartão internacional (...) o que finalmente convenceu a atendente.

Aí fiquei pensando que o melhor mesmo seria ter tido um diálogo assim:
- Gostaria de solicitar o cancelamento do meu cartão de crédito.
- Posso saber o motivo, senhor?
- Não resido mais no Brasil, me mudei para uma tribo canibal em Guiné Bissau onde a moeda é folha de bananeira e não tem nada mesmo para comprar!

Talvez assim desse para fazer o cancelamento em só uns dois minutos! :-) Fica a dica.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cingapura

Semana retrasada (pois é, como disse a Cris, todo esse atraso em postagens não dá...) estive em Cingapura para uma semana de treinamento na HP. Confesso que fui sem grandes expectativas a não ser que ia lembrar de Porto Alegre, pois o calor é ao redor de 30 graus e a umidade relativa varia entre 99.9% e 100%, isto é, uma sauna. Esperava o que ouvia falar: mais uma mega-cidade, arranha-céus, muitos eletrônicos, muita gente e pouco espaço, afinal Cingapura é uma cidade-país com uma área 40% maior que o município de Porto Alegre, mas onde vivem mais de 4,5 milhões de pessoas.

Logo no primeiro dia de manhã realmente lembrei da velha Porto Alegre: saí para correr as 7 da matina (que vontade) e ao correr os primeiros 100 metros já estava suando tanto que quase dei meia-volta e encerrei por ali mesmo o exercício. Muitas lembranças de Parcão e aquele bafinho agradável das corridas do verão... Continuei, pegando um caminho beirando um rio que corta a parte central da cidade e não me arrependi: tudo absolutamente limpo, árvores, pouca gente na rua (tá certo, eram 7 da madrugada), vários restaurantes, bares, cafés e lugares agradáveis às margens do rio, um centro histórico com prédios de estilo colonial britânico e bastante espaço aberto. E é claro, no "centro do centro", uma floresta de arranha-céus um do ladinho do outro.

Não é a toa que Cingapura hoje é um centro financeiro e de comércio mundial, já que a vocação para isso já tem quase 200 anos. Os ingleses se estabeleceram em 1819 pela sua localização estratégica na rota das especiarias e em seguida a ilha já era um dos mais importantes entrepostos de troca do império. E nessa época por ali já passavam milhares de navios, se vendia e trocava mercadorias, financiava-se compras e comerciantes de todas as partes da Ásia se mudavam para lá. Hoje o porto de Cingapura é o mais movimentado do mundo, por onde passa 25% dos containers e 50% da produção de petróleo bruto do mundo!

Mas achei Cingapura uma daquelas cidades que parece ter uma vida própria: tem sempre alguma coisa acontecendo, gente na rua, um prédio novo ou toda uma região de restaurantes que não existia há um ano atrás. Cheia de lugares requintados, restaurantes sofisticados, bares temáticos e shopping centers mostruosos e movimentados. Ao mesmo tempo, tem muitos parques e espaços abertos para uma cidade que explode de tanta gente, o que torna o lugar super agradável de passear e descobrir as atrações. Perto do hotel tinha uma região de lazer chamada Clarke Quay onde duas ruas foram cobertas (chove muito) e tem restaurantes, bares, boates e cafés um do ladinho do outro, cheio de gente circulando. Tem shopping de 6 andares com lojas de eletrônicos, acho que nunca vi tanta coisa completamente supérflua que eu tanto precisava no mesmo lugar!

Um aspecto interessante é a importância do exército no país: o serviço militar é obrigatório e todos os residentes são obrigados a dedicar 40 dias por ano em treinamento militar até os 40 anos! Tem um colega meu que é gerente de projetos e vai por 20 dias para uma ilha próxima se enfiar no meio do mato, ficar 3 dias direto acordado e fazer exercícios de combate. Se não se apresentar, vai preso. Cingapura tem 350 mil reservistas (que são retreinados todo ano por 40 dias) e 75.000 militares na ativa (o Brasil todo tem cerca de 200 mil), tudo isso para proteger a sua localização vunerável e ao mesmo tempo estratégica na Ásia.

Enfim, valeu muito a viagem e fiquei bem impressionado com a cidade e tudo que ela oferece, mas mais que tudo com o fato de ser também conhecida como "a nação do ar condicionado"! :-)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Fogos de Sydney

No Ano Novo vimos os fogos sobre a Harbour Bridge, que até a invenção dos fogos de Copacabana eram os maiores do mundo. Bom, aqui eles ainda dizem que são os maiores e mais famosos do mundo, mas óbvio, eles são australianos, eles não vão sair por aí fazendo propaganda dos fogos de Copacabana, até porque eles nem saberiam como dizer "Copacabana".


A queima dos fogos dura cerca de 20 minutos, e é bem legal, ocorre simultaneamente dos dois lados da ponte e em cima da ponte também. O mais legal é que tem uma música sincronizada com os desenhos que se formam no céu, e esta música a gente pode ouvir sintonizando o radio, então a gente pode ver de longe, sem se atrolhar no meio do povo, mas acompanhando o desenrolar da performance.


Bom, a foto ao lado obviamente não faz justiça ao que foi o espetáculo, mas só para registrar o momento resolvi postá-la. E A TODOS QUE NOS ACOMPANHARAM ATRAVÉS DO BLOG EM 2007, UM FELIZ ANO NOVO E CONTINUEM CONOSCO EM 2008.


Um beijo enorme a todos os amigos.


Dos meus preferidos 2 - Henry Miller

"Sentia-me inteiramente revigorado, puro de coração, e atormentado por uma idéia: possuí-la a qualquer custo. Caminhando através do parque deliberava que tipo de flores mandar com o livro que lhe havia prometido. Estava me aproximando do trigésimo terceiro aniversário, a idade de Cristo cruxificado. Uma vida totalmente nova se estendia diante de mim, tivesse eu apenas a coragem de tudo arriscar. Na verdade, não havia nada a arriscar: eu estava no primeiro degrau da escada, um fracasso em todo sentido da palavra. Dar o passo fatal, mandar tudo para os infernos é em si uma emancipação: o pensamento das consequências nunca me passou pela cabeça.
Render-se absoluta e incondicionalmente à mulher que se ama é romper todas as amarras, exceto o desejo de não a perder, que é a amarra mais terrível de todas. Irei diretamente à casa dela, apertarei a campainha e entrarei. Aqui estou, aceite-me, ou me apunhale até morrer. Apunhale o coração; apunhale o cérebro, apunhale os pulmões, os rins, as vísceras, os olhos, as orelhas. Se apenas um órgão for deixado vivo, você está condenada a ser minha, para sempre, neste mundo e em todos os mundos que surjam.
Sou um bandido do amor, um escalpelador, um matador. Sou insaciável. Eu devoro cabelo, cera suja, coágulos de sangue seco, qualque coisa e toda coisa que você chame sua. Mostre-me seu pai, com seus papagaios, seus cavalos de corrida, suas entradas para a ópera: devorarei todos eles, eu os engolirei vivos. Onde está a cadeira em que você se senta, onde está seu pente preferido? (...) Apresente-os todos de uma vez para que eu possa devorá-los num só bocado.

Foi ali que escrevi as cartas mais loucas que já foram escritas. (...) Disse a mim mesmo repetidas vezes que se um homem, um homem sincero e desesperado como eu, amar uma mulher com todo seu coração, se estiver disposto a decepar suas orelhas e mandá-las a ela pelo correio, se tirar o sangue de seu coração e injetá-lo no papel, se a saturar com sua necessidade e ânsia, se a sitiar para sempre, ela não poderá recusá-lo. O homem mais sem graça, o homem mais fraco, o homem mais indigno deve triunfar se estiver disposto a derramar sua última gota de sangue. Mulher nenhuma poderá resistir à dádiva do amor absoluto."

Dos meus preferidos 1 - Caio Fernando Abreu

"Ah: fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas,

noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros,
pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele
(...)

Sabes também que já não poderias voltar atrás, que estás inteiramente subjugado e as tuas palavras, sejam quais forem, não serão jamais sábias o suficiente para determinar que essa porta a ser aberta agora, logo após teres dito tudo, te conduza ao céu ou ao inferno.
Mas sabes principalmente, com uma certa misericórdia doce por ti, por todos, que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa.Só não saberás nunca que neste exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva".

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Natal em família


Para nossa felicidade, nosso primeiro Natal australiano teve família: meu papy e mamy vieram de visita. Foi muuuito bom, pro incrível que pareça, um dos meus melhores natais.


Foi bem diferente... Não teve loja cheia, milhares de compras e festejos, nem peru. Compramos os presentes rapidinho em duas lojas e escolhemos apenas frutos do mar para a ceia (já que não temos forno para assar nada). Comemos sashimi de salmão, camarões gigantes, mexilhões assados na chapa e peixe feito no forno elétrico. Bebemos caipirinha e champanhe. Tudo perfeito!!!!!


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A Era do Gelo

Sei que existem exceções - será que eu fui uma? - mas chefes em geral são umas malas. E o meu chefe australiano, semana passada, tava me dando nos nervos, implicante, rindo das coisas que eu fazia errado (sim, eu não entendo direito as ordens dele, já que ele é originário da Escócia, leia-se somente inteligível pelos próprios conterrâneos e adaptou seu sotaque para ser compreendido pelos australianos, então ele mistura os dois). Bom, eu já estava cheia até de ouvir a voz da mala, meio perdida, sem saber o que fazer. A Cristina já estava até me dando idéias de como matá-lo sem deixar pistas (é, amiga médica tem 1001 utilidades).

Então, estou eu lá desiludida e pensando como a vida é triste e injusta e como eu era feliz no Brasil apesar da bandidagem solta nas ruas, da roubalheira dos políticos, do salários miserentos que eu sempre ganhei e de ter que trabalhar domingos e feriados, quando eu vejo a luz. Neste caso, a luz veio na forma de um email de Cristine Pires me dando a dica mais preciosa dos últimos tempos: "Loira, bota o nome do teu chefe no gelo que daí ele vai largar do teu pé".

Céticos, me apedregem, mas uma vez que se vê a luz, não há como voltar atrás. E então nesta segunda-feira de manhã eu escrevi o nome do meu chefe em um papel e botei no meio do gelo no freezer, e, enquanto o fiz, mentalizei pedindo prá ele ter bastante trabalho, ficar bem ocupado, me esquecer, me largar de mão, nem me olhar.

E a semana começou. Nossa primeira tarefa (minha e dele) era construir um novo modelo de avaliação de uma companhia chinesa, um monte de trabalho. Minha parte era ler e resumir os relatórios, a dele fazer o modelo. Um monte de coisa. E ele bem concentrado. Nem me olhou. Oba, o gelo. Mas e como seriam os próximos dias, eu pensava? Seriam assim ou voltaria a pegação no pé? E mal tive tempo de me questionar e o gelo mostrou que é um investimento de longo prazo: meu chefe fechou o Excel sem salvar. Perdeu todo o modelo.

Resumindo, atrasou todo o trabalho da semana. E com isso quebraram-se paradigmas no setor de pesquisa. Primeiro, ele perdeu a moral para rir das coisas que eu faço errado, porque tem coisa mais burra do que perder oito horas de trabalho porque não salvou o arquivo? Segundo, ele ganhou ocupação extra para o resto da semana. Terceiro, nos aproximamos graças às minhas tentativas de salvamento do arquivo morto (todas furadas, óbvio, pois quem me conhece, também conhece a minha quase total ignorância em relação a tudo que fica armazenado em locais com denominações do tipo "Meu Computador", naqueles locais que respondem por letras e coisas do tipo, mas enfim, valeu a intenção.

E graças àquele email da Pireca, a primeira semana da Era do Gelo, em vez de encheção de saco, teve email do chefe. Dizia ele: "Li o que escreve sobre a China no relatório. Estava muito bom. Tenha um bom dia".

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Cidades da Austrália

Ao mesmo tempo que a Austrália é um país enorme, sua população é pequena e extremamente concentrada nas grandes cidades. A Austrália tem 11% da população do Brasil (21 milhões de habitantes) em uma área que é só 10% menor, sendo que as regiões metropolitanas das 5 maiores cidades concentram 60% da população, comparadas com 30% no Brasil.

Como o interior da Austrália é praticamente um grande deserto, a população também está concentrada no litoral, já que 83% dos australianos moram a menos de 50km da costa. Sendo assim, quando a gente olha o mapa e onde estão as pessoas, vê que tem um "imenso espaço vazio". Para dar um exemplo, o maior distrito eleitoral do mundo fica aqui na Austrália, com uma população de cento e poucas mil pessoas em uma área equivalente a 8 vezes o Rio Grande do Sul! (O voto aqui é distrital, isto é, o país é dividido em "distritos eleitorais" com aproximandamente a mesma população e cada distrito elege seu parlamentar.)

Sendo assim, é possível dizer que por esse imenso país são 5 as cidades que realmente interessam no cenário nacional: Sydney, Melbourne, Brisbane, Perth e Adelaide. Não por população, mas por ser a capital, Canberra também acaba entrando nessa lista.

Quando a gente começa a olhar, por exemplo, a rede de conexões de vôos domésticos, tudo gira em torno dessas 6 cidades. O mesmo vale para os maiores times esportivos, locais dos grandes shows, notícias e atividade econômica. Claro, por sua importância turística também entram Gold Coast (muitas praias maravilhosas), Cairns (perto da Grande Barreira de Corais) e Alice Springs (no meio do continente e do nada, onde fica aquele famoso monolito enorme e avermelhado).

Se por um lado isso parece pequeno, por causa da extensão territorial as distâncias são grandes: um vôo de Sydney até Perth leva cinco horas e até Cairns três, já para Brisbane e Melbourne leva uma hora e pouquinho.

Cada cidade tem um estereótipo bem definido: Sydney é a grande metrópole com praias, Melbourne é refinada e tem ótimos restaurantes, Brisbane é um cidade tranqüila e quente o ano todo, Perth tem praias espetaculares e fica longe de tudo, Canberra é cidade de políticos sem grande vida própria. E Adelaide eu nem sei o estereótipo. Sei que perto fazem bastante vinho tinto. :-)