terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cingapura

Semana retrasada (pois é, como disse a Cris, todo esse atraso em postagens não dá...) estive em Cingapura para uma semana de treinamento na HP. Confesso que fui sem grandes expectativas a não ser que ia lembrar de Porto Alegre, pois o calor é ao redor de 30 graus e a umidade relativa varia entre 99.9% e 100%, isto é, uma sauna. Esperava o que ouvia falar: mais uma mega-cidade, arranha-céus, muitos eletrônicos, muita gente e pouco espaço, afinal Cingapura é uma cidade-país com uma área 40% maior que o município de Porto Alegre, mas onde vivem mais de 4,5 milhões de pessoas.

Logo no primeiro dia de manhã realmente lembrei da velha Porto Alegre: saí para correr as 7 da matina (que vontade) e ao correr os primeiros 100 metros já estava suando tanto que quase dei meia-volta e encerrei por ali mesmo o exercício. Muitas lembranças de Parcão e aquele bafinho agradável das corridas do verão... Continuei, pegando um caminho beirando um rio que corta a parte central da cidade e não me arrependi: tudo absolutamente limpo, árvores, pouca gente na rua (tá certo, eram 7 da madrugada), vários restaurantes, bares, cafés e lugares agradáveis às margens do rio, um centro histórico com prédios de estilo colonial britânico e bastante espaço aberto. E é claro, no "centro do centro", uma floresta de arranha-céus um do ladinho do outro.

Não é a toa que Cingapura hoje é um centro financeiro e de comércio mundial, já que a vocação para isso já tem quase 200 anos. Os ingleses se estabeleceram em 1819 pela sua localização estratégica na rota das especiarias e em seguida a ilha já era um dos mais importantes entrepostos de troca do império. E nessa época por ali já passavam milhares de navios, se vendia e trocava mercadorias, financiava-se compras e comerciantes de todas as partes da Ásia se mudavam para lá. Hoje o porto de Cingapura é o mais movimentado do mundo, por onde passa 25% dos containers e 50% da produção de petróleo bruto do mundo!

Mas achei Cingapura uma daquelas cidades que parece ter uma vida própria: tem sempre alguma coisa acontecendo, gente na rua, um prédio novo ou toda uma região de restaurantes que não existia há um ano atrás. Cheia de lugares requintados, restaurantes sofisticados, bares temáticos e shopping centers mostruosos e movimentados. Ao mesmo tempo, tem muitos parques e espaços abertos para uma cidade que explode de tanta gente, o que torna o lugar super agradável de passear e descobrir as atrações. Perto do hotel tinha uma região de lazer chamada Clarke Quay onde duas ruas foram cobertas (chove muito) e tem restaurantes, bares, boates e cafés um do ladinho do outro, cheio de gente circulando. Tem shopping de 6 andares com lojas de eletrônicos, acho que nunca vi tanta coisa completamente supérflua que eu tanto precisava no mesmo lugar!

Um aspecto interessante é a importância do exército no país: o serviço militar é obrigatório e todos os residentes são obrigados a dedicar 40 dias por ano em treinamento militar até os 40 anos! Tem um colega meu que é gerente de projetos e vai por 20 dias para uma ilha próxima se enfiar no meio do mato, ficar 3 dias direto acordado e fazer exercícios de combate. Se não se apresentar, vai preso. Cingapura tem 350 mil reservistas (que são retreinados todo ano por 40 dias) e 75.000 militares na ativa (o Brasil todo tem cerca de 200 mil), tudo isso para proteger a sua localização vunerável e ao mesmo tempo estratégica na Ásia.

Enfim, valeu muito a viagem e fiquei bem impressionado com a cidade e tudo que ela oferece, mas mais que tudo com o fato de ser também conhecida como "a nação do ar condicionado"! :-)

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